Cada vez mais me simpatizo com as casas que pertencem ao tempo, aquelas que estão sempre prontas e nunca acabadas. Prontas porque sabem como ninguém que a hospitalidade ultrapassa qualquer estilo de decoração, organização, anos de vida, e nunca acabadas porque possuem a flexibilidade fundamental para se adaptar a mudanças.

Não há como não se admirar com tamanha sinceridade, daquela que expõe rachadura, mancha no móvel, gaveta emperrada. Nem com tanta sabedoria que conhece que uma deliciosa cadeira de mola rende uma tarde de leitura tão incrível que o estofado meio detonado é apenas um charme a mais.

São casas que possuem significados em cada canto, porquês sobre prateleiras, verdades verdadeiras e verdades inventadas presas à parede. Elas são a melhor versão da história: nos momentos tristes elas se tornam poesia e nos momentos alegres são enredos animadíssimos lotados de personagens extravagantes.

Ah, quanta generosidade cabe em seu interior, muito além de apenas alicerce, mobiliário e talvez uma bela vista. Elas aprenderam com o espirituoso tempo a não ter pressa e descobriram que só assim são capazes de se envolver realmente com a gente e virar o melhor lugar do mundo que se pode desejar.

 

 

 

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Fonte: Espacio Living

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