Hoje lembrei de minha avó paterna, a pra frentex. Adorava tudo que era novidade, foi uma das primeiras avós que vi usar tênis e falar palavrão.

Meu pai já era um cara que cultivava o gosto pelo antigo e pelas manualidades. Tinha extrema habilidade com madeira e, nas horas vagas, colocava a mão na massa.

Super detalhista, suas peças sempre tinham algum tipo de recorte especial ou adorno que as tornava bem singular. Terminadas as confecções, feliz da vida nos chamava para mostrar seu feitos.

Mais que depressa, minha avó expressava: ” Nossa, parece que comprou pronto”. Aquilo, pra ela, era o maior dos elogios. Pra ele, era a morte.Claro, ralava pra dar todo seu talento e o ” comprar pronto” representava a falta de personalização.

Ela não enxergava dessa forma, pois participou de uma época em que a oferta de produtos era super pequena e o preço alto. Então, o comprar pronto dela vinha de um outro contexto, tinha um outro valor.

Relembrei esse episódio da minha família porque vi um post da casa de Sussana Vento, interior designer, e ela cita que, para seus clientes, parte em busca de novos produtos, mas na sua casa a história é diferente: escolhe peças que resistam a tendências e faz muitas manualidades.

Achei uma excelente prova de que o estilo “faça você mesmo” , acima de tudo, retrata o carinho com o espaço onde vivemos. É poder criar uma extensão da gente, é se ver em cada detalhe como se olhasse pra um espelho, incluindo todas as nossas transformações.

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Fonte: 79 Ideas / Dwell