Fazia um tempinho que meu irmão Herick não mandava um texto aqui para o blog, mas foi por um bom motivo: férias! Além de merecidas, elas renderam esse post que é bem a cara dele, moço prendado, carinhoso e observador, um verdadeiro artigo raro, assim como os estrados de mola!

Achei bastante sugestivo postá-lo na sexta. Espero que curtam…

No final do ano tive a oportunidade de viajar para a região de Furnas, em Minas Gerais. Lugar maravilhoso, tem tudo o que a gente quer em uma cidade grande e, com razão, não encontra. O contato com a natureza é fantástico, o “barulho” do silêncio, o céu estrelado, o verde, o sossego, o cheiro do “mato”… Sem falar no ESPAÇO absurdamente grande de uma casa de fazenda, completamente diferente dos minúsculos apartamentos que nos acostumamos a morar. Claro que com isso também desenvolvemos a habilidade das “transformações”…

Não deu pra aproveitar muito porque São Pedro não ajudou, mandou água quase todos os dias. No entanto, já falando em habilidades das “transformações”, minha filha mandou um entusiasmado “Por que não fazemos um bolinho de chuva?!!!” (Lê-se “ Por que não fazemos um bolinho de chuva?”, mas entende-se “Pai, faça um bolinho de chuva pra gente”).

Como nasci em uma família onde reinavam as mulheres, aprendi a obedecer a uma voz feminina e fiz o tão desejado bolinho de chuva. Nada muito especial, apenas um bolinho de chuva dessas receitas que pegamos na internet mesmo…

O que me chamou a atenção é que parece que gastronomia combina com casa na fazenda, faz a gente lembrar da infância e dos momentos felizes com a família reunida. Faz a gente parar pra refletir sobre a correria que vivemos na cidade, se vale a pena mesmo dedicarmos tanto tempo a essa loucura. Sem falar do trânsito!

Reconhecer nossas próprias limitações com o tempo, respeitá-las e fazer com que sejam respeitadas pode não proporcionar uma renda ambiciosa mas, com certeza, trará mais saúde física, mental e social às nossas vidas. Às vezes, um final de tarde com a família acompanhado de um simples bolinho de chuva pode proporcionar momentos inesquecíveis e ser tão revitalizante como um final de semana na fazenda.

Pra quem quiser, aqui vai a receita:

1 xícara de açúcar

2 xícaras e meia de farinha de trigo

2 ovos

1 colher de chá de canela em pó

1 colher de sobremesa de fermento em pó

½ colher de chá de sal

1 xícara de leite (como tenho intolerância à lactose, utilizo o leite de soja. Fica muito bom também!)

(Óleo para a fritura e um pouco mais de açúcar e canela pra envolver os bolinho já fritos)

Bata primeiro o açúcar e os ovos. Depois vá acrescentando o resto e continue batendo sem dó! Tem gente que peneira a farinha, a canela etc, mas não sei se dá muita diferença. Não tem segredo!

Você terá uma massa mole e deverá fritá-la às colheradas no óleo quente. Deixe que os bolinhos dourem de todos os lados. Retire-os e deixe escorrer por alguns instantes em papel toalha e mergulhe-os em uma mistura de açúcar e canela. A massa dá uma porção de, mais ou menos, 20 bolinhos.

Claro que não causará o mesmo efeito que na fazenda com chuva, mas garanto que combina muito bem com sofá, filme na TV e preguiça!

Aqui , aqui e aqui tem os outros textos escritos pelo Herick.